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Jornal do Concelho de Oleiros | Directora: Daniela Silva | Periodicidade: Trimestral | Agosto 2018 nº67 Ano XV
Estudo de 52 anos é agora editado em livro
Como o bócio foi eliminado do concelho
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A endemia de bócio afetou gravemente, em meados do século passado, o concelho de Oleiros e os seus concelhos limítrofes. Entre 1963 e 1966, os médicos Fernando Dias de Carvalho e José Lopes Dias efetuaram um estudo, no terreno, que permitiu depois a implementação de uma profilaxia com sal iodado. O documento é agora editado em livro pela Câmara de Oleiros, numa edição da RVJ Editores, e coordenado por Fernando Dias de Carvalho. O livro será apresentado no Dia do Concelho, a 13 de agosto, pelas 15 horas no Salão Nobre dos Paços do Concelho.
Um documento histórico, que além de mostrar a realidade daquele território, apresenta de forma detalhada e em quadros estatísticos a presença dessa endemia. Além disso, reúne num caderno de 16 páginas um conjunto de imagens dessa época e outras modernas (da autoria de Acácio Fernandes, Alberto Ladeira e da RVJ Editores), que demonstram a evolução e a qualidade de vida que o concelho alcançou nos últimos 52 anos.
O livro surge da vontade da Câmara de Oleiros. "A realidade vivida na primeira metade do século passado no que diz respeito a esta doença, trouxe muitos problemas a estas populações aqui bem vincados, e que são um testemunho da saúde pública e da medicina curativa da época. Ao respeitarmos o passado e nos apercebermos das suas deficiências temos o caminho aberto para um futuro de sucesso", explica o presidente do Município, Fernando Jorge, na nota de abertura que escreveu para esta obra. 
Com a chancela da RVJ Editores, o estudo agora com 52 anos, permitiu a implementação de uma profilaxia com sal iodado. Em 1977 a endemia tinha praticamente desaparecido quer entre as crianças e jovens em idade escolar, quer nos adultos.
Na época foi avaliada uma parte significativa da população do concelho (10441 dos 15553 habitantes). Os resultados demonstraram números alarmantes e a necessidade de intervir. "Eram portadores de bócio 4533 indivíduos, sendo 68,06% do sexo feminino e 29,7% do masculino. Como consequência da endemia - além da hipertrofia da glândula tiroideia - observámos, também, casos de hipotiroidismo, cretinos e cretinoides", refere Fernando Dias de Carvalho, no resumo deste livro.
O médico pediatra, que exerceu também funções de diretor do Hospital Distrital de Castelo Branco, lembra no preâmbulo do livro que "o contacto com esta população durante três anos deu-me a possibilidade de conhecer a pobreza, a angústia, a ansiedade, o sofrimento físico e psicológico destas gentes, suportado ao longo de muitas gerações, centenas de anos, arrastando as deformações que provocavam sofrimento físico e psíquico e que viam repetir-se nas gerações seguintes, os seus filhos, e a tristeza que lhes causava".
"Apesar de todo o sofrimento e mau estar, sentiam um tão grande amor à terra que os impedia de partir e quando por obrigação tinham de o fazer, a maior parte regressava (…)", conta. 
52 anos depois de ter efetuado o estudo, Fernando Dias de Carvalho diz sentir "como podem ser ultrapassáveis muitas das dificuldades resultantes de grandes atrasos civilizacionais. Quando nos anima a forte determinação de contribuir para o desenvolvimento humano não há isolamento que não possa ser vencido, não há barreiras físicas, como a falta de meios de comunicação, que não sejam ultrapassáveis, não há hábitos que não possam ser modificados". 
No entender do médico, "hoje, Oleiros é uma vila moderna com meios de comunicação, edifícios escolares modernos e equipamentos de cultura e lazer graças ao Poder Local nascido em 1974". 

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